UMA REFLEXÃO SOBRE O AMOR E O PARA SEMPRE

    Na malquista graça da vida, o coração se engana. Brincalhão, nos prega peças, tapa nossos olhos, nos faz contar até três e, por um fragmento de instante, nos faz torcer como crianças cheias de esperança para que o nosso ‘para sempre’, tão grandioso quanto a eternidade, seja uma exceção de toda a regra.
    Pelo tão tanto que amei, descobri que amar é trazer de volta aos olhos uma pureza que adormecera no amargurado viver da dolorosa vida adulta, como um colírio. Faz sentir no íntimo que o mundo inteiro pertence a nós – amantes e sonhadores – e que podemos juntos fazer dele tudo o que a vontade permitir. E tudo o que a vontade quer nesse instante é que o mundo sinta em si a mesma felicidade que a alma sente. E de alguma forma o mundo, em troca, se faz presente; pois entende e calorosamente sorri de volta para você em cada momento simples. O mesmo imenso mundo que se faz tão pequeno num abraço apertado. Meu mundo, nosso mundo.
    Amar pode ser delicado e inocente. Caridoso, benevolente e generoso; deixei por um instante na minha vida de ser crédulo. Mas ter passado por toda a oportunidade de sentir a essência (que garante a forma do ser e faz que o ser seja o que é) de maneira tão forte e vívida do amor facilitou a mim o entendimento do sagrado. Me fez sentir Deus em sua forma mais pura. É belo. É divino. Independente de promessas intensas e desejos sinceros no calor do momento, nunca haverá em nenhum lugar alguma garantia de que era para sempre mesmo; especialmente porque é um fato consumado que o para sempre, queiramos nós ou não, em algum instante chegará ao seu fatídico fim.
    Como a infância, o amor cresce, amadurece, se transforma e vai embora. E só restará, diante do privilégio do sentir, a doce nostalgia de um brincar de namorar e odiar ao contrário que, de certa forma, consegue sim realizar o devaneio de ser a exceção da regra: Estará para sempre vivo na memória, no carinho, na história e no pulso que, enquanto a morte – angústia de quem vive – não o parar, continuará pulsando. Com o mesmo sorriso que faz o amor nascer no peito. O seu sorriso; meu eterno faz de conta.




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